quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Abbacrombie.


~To abba, lovely biter and wonderful son.
*25/11/07 †20/03/08
E como em memórias póstumas, eu não sei se começo pelo começo ou pelo fim. Afinal foi uma vidinha tão curtinha que dá até pra contar nos dedos. Então, vou começar pelo início. Chegaste do nada e foste a melhor coisa que já me aconteceu. Adoravas latir para pedir colo. Ah, como latias. Latias para subir na cama, para conseguir um pedacinho de manga ou uma pipoquinha doce. Mas aí, a mamãe aqui ensinou que latir não era educado, e como o bom filho que eras aprendeu rapidinho. Ficavas parado só olhando para o objeto de desejo até que conseguisse, com os olhinhos pretos e pequeninos cheios de ternura.
E mordias, mordias tudo. Acho que mordias mais do que latias. Mordias para brincar, para afiar os dentes, para rasgas papel, mas nunca, nunca mesmo, para machucar. Não gostavas de remédios, mas aprendeste a tomá-los bem quietinho, nem mesmo tentavas mais te desvencilhar de mim... Ta, só um pouquinho.
Eras cheio de regalias. Dormias numa cama só tua e só comias leite condensado. E eu poderia fazer teu leite pro resto da minha vida, ou da sua. E afinal, acabei que o fiz mesmo.
E se chega o fim.
Então, um dia, eu fui dormir fora. Quando minha mãe me ligou –mas tão tarde?- dizendo que tinha uma notícia não muito boa pra me dar, meu mundo caiu. Ela nem precisava ter dito mais nada. Tu te foste. Nem as estrelas se atreveram a aparecer depois de tamanha notícia. O céu nublou-se junto com a minha alma. Eu pediria, egoísta como sou, que esperasses ao menos eu voltar pra casa, pra eu te ver pelo menos mais uma vez. Mas acho que assim foi melhor, posso lembrar de ti como o melhor e mais sem noção companheiro de todos.
Comer goiaba nunca mais será o mesmo, porque tu não estarás lá pra eu dar a parte de cima. Nem me deitar na cama, porque não estarás lá pra pedires pra subir. E os planos futuros? Ias comigo pra onde eu fosse, sabes disso, te contei tantas vezes. Achei que íamos crescer juntos e que viajaríamos juntos. Mas não foi assim, foste cedo demais.
Sabe do que eu mais vou sentir falta? De quando eu chegava em casa e te chama de “pretinho” com voz de criança e tu ficavas todo serelepe, ah, eu vou morrer de saudades. Eu te amei e ainda te amo. Eu não acredito nessas coisas de céu e tudo o mais, mas eu nunca desejei tanto que isso existisse pra tu poderes estar lá e eu saber que estás bem e melhor do que estavas quando ainda estavas aqui, do meu lado.
“...you’re the cutest thing I’ve ever seen, like a Ted bear on heroin”
I’m missing you a lot.

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