terça-feira, 28 de outubro de 2008

de "as crônicas da menininha"


comeu de uvas doces e amargas. assistiu anjas e paLavras proibidas.
pensou que seria sua vez, aquela noite. diz-se-ia ser só seu, mas dela só queria metade.
ele não a queria, não só a ela. sentiu dilacerarem-na e a pele e se desfez em carne.
mentiu verdades escondidas, se sentiu suja e se manteve inerte por tempos. depois deixou levar-se pelos momentos seguintes -é o vinho, com certeza.
fingiu que era com ela que ele falava, fingiu que era pra ela todo aquele empenho. sorveu todo o amor que ele não dava pra amenizar toda aquela dor.
dormiu. agarrada em seus anseios e sofreres. dormiu. abraçada nele, fingindo ser pra ela que ele arfava.
acordou com sol já bem alto, sentiu o frio amortecer seu nariz, fingiu dormir por um minuto ou dois, tentando, desesperadamente, apagar a noite anterior. viu-se de vestido e ternura, agora sozinha nos edredons sem vida. ele estava lá. de inocente. sabia da maioria dos porem's, mas não se importava.
e a menininha? voltou a escrever.