domingo, 28 de setembro de 2008

baby steps.


As coisas vão bem. Não tanto quanto deveriam, mas vão.
Devagar as coisas se ajeitam, devagar eu vou deixando, o que não me faz bem, pra trás.
Só com baby steps vou conseguir o que eu quero...e até descobrir o que quero.
I just want to be happy, mas me contento, por hora, com alguns C's e D's, algumas terças-feiras cinzentas e uma ou outra flor colorida no caminho.
"Baby steps, out of the room. Baby steps to the elevador. Baby steps, along the street. Baby steps to live my life. Baby steps to be happy."

terça-feira, 16 de setembro de 2008

delirium.


Me deixe ser quem sou.
Não falo mais de antes, pelo menos não falava. Quero minhas primeveras de volta, meu acalento e meu bem.
Ah, se tu soubesses do que falo. Nem ao menos saberás, não agora. És apenas um, perdido em meus vagares solitários. És donado, e pq queres o és. Mas de mim querias o sulco, de mim queres juventude e vividez, que eu e só eu tenho.
Que os meus olhos se percam em verde se eu não te quiser mais, pois és o meu novo e velho problema, -eu só não o via-
és meu delírio.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Abbacrombie.


~To abba, lovely biter and wonderful son.
*25/11/07 †20/03/08
E como em memórias póstumas, eu não sei se começo pelo começo ou pelo fim. Afinal foi uma vidinha tão curtinha que dá até pra contar nos dedos. Então, vou começar pelo início. Chegaste do nada e foste a melhor coisa que já me aconteceu. Adoravas latir para pedir colo. Ah, como latias. Latias para subir na cama, para conseguir um pedacinho de manga ou uma pipoquinha doce. Mas aí, a mamãe aqui ensinou que latir não era educado, e como o bom filho que eras aprendeu rapidinho. Ficavas parado só olhando para o objeto de desejo até que conseguisse, com os olhinhos pretos e pequeninos cheios de ternura.
E mordias, mordias tudo. Acho que mordias mais do que latias. Mordias para brincar, para afiar os dentes, para rasgas papel, mas nunca, nunca mesmo, para machucar. Não gostavas de remédios, mas aprendeste a tomá-los bem quietinho, nem mesmo tentavas mais te desvencilhar de mim... Ta, só um pouquinho.
Eras cheio de regalias. Dormias numa cama só tua e só comias leite condensado. E eu poderia fazer teu leite pro resto da minha vida, ou da sua. E afinal, acabei que o fiz mesmo.
E se chega o fim.
Então, um dia, eu fui dormir fora. Quando minha mãe me ligou –mas tão tarde?- dizendo que tinha uma notícia não muito boa pra me dar, meu mundo caiu. Ela nem precisava ter dito mais nada. Tu te foste. Nem as estrelas se atreveram a aparecer depois de tamanha notícia. O céu nublou-se junto com a minha alma. Eu pediria, egoísta como sou, que esperasses ao menos eu voltar pra casa, pra eu te ver pelo menos mais uma vez. Mas acho que assim foi melhor, posso lembrar de ti como o melhor e mais sem noção companheiro de todos.
Comer goiaba nunca mais será o mesmo, porque tu não estarás lá pra eu dar a parte de cima. Nem me deitar na cama, porque não estarás lá pra pedires pra subir. E os planos futuros? Ias comigo pra onde eu fosse, sabes disso, te contei tantas vezes. Achei que íamos crescer juntos e que viajaríamos juntos. Mas não foi assim, foste cedo demais.
Sabe do que eu mais vou sentir falta? De quando eu chegava em casa e te chama de “pretinho” com voz de criança e tu ficavas todo serelepe, ah, eu vou morrer de saudades. Eu te amei e ainda te amo. Eu não acredito nessas coisas de céu e tudo o mais, mas eu nunca desejei tanto que isso existisse pra tu poderes estar lá e eu saber que estás bem e melhor do que estavas quando ainda estavas aqui, do meu lado.
“...you’re the cutest thing I’ve ever seen, like a Ted bear on heroin”
I’m missing you a lot.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

meu lar.


o dia foi longo, como os outros dias que se passaram.
pesado, quase sufocante. me guardei dentro de mim e do meu quarto escuro.
dormi o sono mais penoso, por toda a tarde. acordei, com ainda mais penumbra a minha volta.
sentia o mal humor fluir de minha pele, como se fosse um perfume. o senti doce, tentando me acalentar.
poderia não ter saído do quarto até de manhã, poderia nem ao menos ter falado com mais ninguém, mas resolvi passar pelo cozinha à procura de algo pra saciar minha angustia. foi então, que lá de fora, veio a mulher que mais amo na vida. receei que acabasse por tratá-la mal, já que o controle do mal humor não me foi dado. e ela, com seus olhos cansados de mãe, com o cabelo desarrumado de passar o dia atarefada, veio, passou por mim em direção à geladeira e me deu, com os olhos brilhantes e um meio sorriso, dois brigadeiros.
- Escondi aqui pra que ninguém comesse. Comprei pra ti quando saí.
achei que choraria. foi a coisa mais linda que alguém fez por mim, em dias. ela comprou pra mim e só pra mim, comprou pra me agradar e pq sabe o quanto eu gosto.
foi aí que lembrei do quanto eu a amo, do quanto ela preza por mim. não foram meros brigadeiros, foram a felicidade em forma de doce. ela me fez sorrir como eu não sorria há tempos

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

desespero.


Se arrumou. Lavou-se de maracujá e pitangas.
Vestiu seu azul mais bonito, nadou no mar de perfume, que lhe cabia.
Saiu pra esperar que chegasse.
Chegou.
O perfume se esvaiu, seu azul desbotou, seus maracujás e pitangas foram de doce
ao fel. Não se viu nem nos puxados nem nos lisos.
Ficou com seus F#, C e Am e chorou, quando ninguém olhava.