terça-feira, 28 de abril de 2009

Ode à cláudia.


quem realmente me conhece sabe sobre quem dissertarei aqui. afinal, o que seria de mim sem essa mulher?
eu te amo. achei que precisava mesmo dizer isso por primeiro. és a pessoa mais importante da minha vida. e queria mesmo fazer alguns agradecimentos, por meio deste, caso isso não tenha ficado claro.
agradeço por teres entrado na minha vida. como aquela menina com cara de crente e que usava all star de caveira. pelas saias compridas, até o joelho e pelas blusas azuis do titular. agradeço por teres me dado a chance de estar contigo. pelos óculos de aro vermelho e aqueles novos com papagaios na borda. por teres, finalmente, aderido a idéia de cortar a tua franja. por viajar junto comigo depois de cada copo daquele guaraná, que só podia estar adulterado. pelas conversas por papel, durante aquelas aulas chatas e pelas adedonhas de sala de aula. obrigada por termos discutido e por termos nos afastado, só os sábios mudariam de opinião.
obrigada por aquela conversa na praça, há tanto tempo atrás, que mudou tanto tanta coisa. obrigada por ter voltado. por escutar cada little thing minha, mesmo que meio surda, mesmo que meio sem entender, mesmo me fazendo repetir um milhão de vezes. obrigada por estar por lá. SEMPRE. obrigada pelos colos sem jeito, por cada choro inconsolável de paixões desenfreadas que duraram 3 ou 4 dias no máximo. e por sempre me animares, mesmo sem querer, quando eu preciso. obrigada por ler todas as minhas coisas, mesmo as não tão boas, e por quê eu SEI que entendes cada letra e cada virgula de cada uma.
por quereres que eu aprenda francês. por tentar me ensinar os porquê's e por me corrigir. e por seres a pessoa que eu sei que eu posso perguntar. que eu sei que posso contar todas as absurdidades mais incontáveis. por viveres aqui em casa. por todas as incontáveis noites de cigarro, internet e tédio, passadas aqui. por sentares ao meu lado quando estás aqui. obrigada por dormir do mesmo lado sempre, mesmo que seja meio calor. por todas as outras incontáveis noites em que saímos. as milhões de ruins e as boas também. por amanhecer comigo.
por engordar junto comigo. pelos pratos de brigadeiro, miojos com ovo e macarronadas. por seres tão ruim com trabalhos manuais. por adorares todas as comidas que faço e pelas corridas culpadas pós larica. por emagrecer comigo.
obrigada por não falar tudo. só assim vejo o quanto eu sempre quero saber de tudo. obrigada por mudar por mim, por ter deixado eu cortar teu cabelo, por sempre me pedires pra te maquiar. por dormir como uma pedra e acordar com cara de cuzinho. pelos esmaltes vermelhos, pelos bombons que traz quando lembras. pelos montes de isqueiros que me roubas. por usares o anel no mesmo dedo que eu, que diz "<3 vaca I <3". pelos livros que tentas me fazer ler e por realmente se importares se eu estou feliz ou não.
obrigada por querer, tanto quanto eu, sair daqui. por todas as divagações de futuro. por querer mesmo realizar todas elas junto comigo. obrigada por cada projeto, tosco ou não. e por acreditar que eles podem mesmo acontecer.
obrigada por aturar minhas frescuras. com música, com sujeira, com bagunça, com mulheres, com beauty, com tudo o que tu deves saber melhor que eu. obrigada por ser tão filha da puta quanto eu. por rir de todas as nossas piadas e de todas as repetidas. por me considerar tua melhor amiga (assim, bem 5ª série). por ser a pessoa que realmente me importa que me chame de miga.
god only knows what id be without you.

tu és o meu melhor achado.

te amo.
damn, i wish i was a lesbian.

sexta-feira, 13 de março de 2009

das crônicas da menininha.


a menininha está sem chão.
os problemas só crescem e mais aparecem,
vindos em matilhas.
pensa em pintas; em sorrisos problemáticos; em incensos de gotas; em dragões viajantes; em coringas de copas, paus, espadas e ouros; em piercings no nariz e óculos de flor.
mandou que sacrificassem alguns animais silvestres;
gatos do mato, suricates e alguns gorilas.
achou que, talvez, os deuses à aliviassem. mas não foi assim.:
eles mandaram tais fantasmas de volta. mandaram que a seduzissem e que a fizessem cair novamente.
foram bem sucedidos.

ela nem sabe que caminho tomaria.
já não dorme mais como antes.
lida muito bem com os pesadelos. o problema são os sonhos de gramados verdes e felizes.
sonhos normais, de vidas tranquilas.
quando acorda percebe que ainda está na escuridão de seu quarto e ainda é quem ela é. ainda é ela.
isso a mata aos poucos.

fazia tempo que a menininha não se sentia tão só.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

sad


triste.
nunca disse isso com todas as palavras, mas agora está.
não só está triste.
ligar... mas tem medo.
sabe o que está sentindo.
queria escutar a músiquinha do telefone, mas isso não acontece mais.
ouviu de vidas futuras e ficou tão tão feliz, mas, agora, não sabe mais se esse futuro virá.
quer colo e é só um que (ela) quer.
se entregando aos vícios e aos seus próprios edredons.
chorou nos ombros de bidù, nos de tina, nos de seus travesseiros.
e lamentou em outros tantos ombros.
sentar e conversar.
pedir demais?
nem escrever ela tem conseguido.
00h00
nadinha.


dormir e ver o que acontece.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

c'sangels.


não se via um palmo diante do nariz. tudo se cobria de nuvens de fumaça. a nicotina se fazia viva em cada uma das veias presentes.
esquálido, dentro de um terno escuro e sério. os cabelos alinhados e incrustados na cabeça por um gel que os deixavam brilhantes. se encostou na soleira da porta e perscrutou com seus olhos cinza opaco os presentes. puxou o cigarro do bolso interno direito e, como se todos os movimentos fossem espiralados e voluptuosos, acendeu o cigarro, guardou o isqueiro e deu o primeiro trago. tinha o olhar doentio de quem já viveu muito, de quem já viu demais e se cansou de enxergar. quarenta e cinco ou um pouco mais se mantiveram parados e apoiados na bengala de ponta metálica – adorno ou problemas motores, não se sabia ao certo. outro trago.ao menos a música era boa. ele se deteve no canto esquerdo por um segundo ou dois a mais, que mais pareciam a eternidade. emanava luz daquele lugar. pálida e substancialmente magra, ela estava sentada contemplando o chão, nem mesmo notara quem havia chegado. seus cabelos vermelhos caiam-lhe sobre o nariz finíssimo, mas ainda assim deixavam sardas delicadas à mostra. outro trago. achou conveniente sentar-se perto dela. não que tivesse algum motivo especial, só achou que talvez ela conhecesse aquelas pessoas. esgueirou-se pelos paredes laterais e, tentando não virar mais cabeças, sentou-se ao lado dela. apagou o cigarro no cinzeiro que havia entre os dois, ela nem ao menos se moveu. ele se sentiu quase ofendido. como? como todos pararam pra fita-lo e ela nem o notara? não era de seu feitio interessar-se tão rapidamente por alguém, ainda mais tão nova. mas ele sabia que havia alguma coisa mais. ela levantou a cabeça uns dois dedos e ele notou olhos de um verde vívido, mas que pareciam perdidos. ela virou-se para olha-lo e ficou inquieta. ele a viu fitar o chão novamente, mas com os olhos quase esgazeados e mais atinados do que antes. ela parecia feita de papel ou algo mais macio. ele queria toca-la para ver se realmente existia, esticou uma das mãos em direção à ela, mas mudou o curso e apenas limpou algumas cinzas que estavam na calça, e se sentiu um idiota por ter feito isso. precisava ouvir a voz dela. queria lhe falar, na verdade ele queria muitas coisas. tentou por alguns minutos pensar em algo para falar mas não conseguia. apenas à fitava com tamanha intensidade que era notável de qualquer lugar do bar. ela parecia mais corada do que ele havia notado quando chegou. estaria nervosa? ele precisava de mais um trago. puxou a carteira novamente e refez os movimentos: cigarro, isqueiro e outro trago. ele a viu olhando os movimentos que fizera e estendeu a carteira lhe oferecendo um cigarro. ela esticou a mão trêmula e pegou um. ele acendeu para ela, chegando o mais perto que poderia se atrever. eles se olharam nos olhos e ele podia sentir seus próprios batimentos mais acelerados. se sentindo mais idiota e muito tentado a se aproximar mais, inclinou-se na cadeira e, ainda a fitando, roçou a perna na dela, sem intenção. parece que foi o suficiente para desapertá-la do que parecia ser um transe. ela se virou e continuou fumando o cigarro, ainda mais nervosa. o cigarro se perdeu em uma de suas mãos e ele só pensava no quanto precisava entende-la. tinha medo de falar e perder toda a idealização da coisa. tinha medo de não falar e perde-la de vez. queria poder ver o que ela estava pensando, esforçou-se muito tentando, em vão. puxou então, de um dos bolsos internos, um pedaço de papel e uma caneta. escreveu, deixou o papel e o seu isqueiro sobre a cadeira que estava, levantou-se tocou-a no ombro esquerdo e sussurrou algo em seu ouvido. dirigiu-se em meio à fumaça até a porta, virou-se e a fitou mais um vez, agora com um meio sorriso. então saiu.


não se via um palmo diante do nariz. tudo se cobria de nuvens de fumaça. a nicotina se fazia viva em cada uma das veias presentes.
ela nem sabia mais porque decidira sair de casa. os dias tinham sido péssimos e todo o seu corpo ardia sem cessar. depois de tanta insistência de uma amiga, ela resolveu sair. disse que não poderia ficar muito tempo. foi apresentada à todos que já bebiam e conversavam alegremente e teve que forçar sorrisos simpáticos e apertar mãos embriagadas por cinco longos minutos. odiava o jeito que a olhavam, parecia apenas um pedaço de carne. se odiou por ter saído de casa e por ter colocado aquela blusa com aquele maldito decote. finalmente conseguiu sentar-se. achou que finalmente teria um pouco de sossego, mas era apenas o começo. muitos tentaram puxar assunto. tempo, bebidas, festas e até futebol. ela não queria falar, sentia um gosto forte de sangue na boca, apenas meneava a cabeça e soltava algumas poucas interjeições. por fim, desistiram. ela deixou-se levar por pensamentos pesados e cheios de culpa e passou a fitar o chão, não via mais nada e mal podia ouvir as pessoas à sua volta, nem o jazz, que tanto gostava, fazia sentido. ela já havia traçado a noite. voltaria para casa, encheria novamente a banheira, e aí: seria norah, ass, lexotan, gilete e eternus somnus. então, ela sentiu o clima do lugar mudar, sentiu que as pessoas haviam se calado momentaneamente e lançou um olhar à esguelha para soleira da porta. uma figura alta e imponente se encontrava ali. distinguiu, no pouco tempo que olhou, que usava um terno alinhado e era bem mais velho que ela. por uma fração de segundo seus olhares não se cruzaram, ela sentiu seu rosto corar e implorou pra que ele não notasse. sabia que agora ele se mexia e que estava vindo em sua direção. manteve-se inerte, decidira que não daria a ele a mesma atenção que os outros deram, só não sabia porquê. entreviu ele sentando perto, podia até mesmo sentir o cheiro que vinha do cigarro, mesmo assim não se mexeu. tentou divagar novamente, mas se perdeu na visão que guardara dele perto da porta. ele apagou o cigarro, quase roçou no seu braço e ela corou levemente, desejando que ele não notasse. levantou uns dois dedos o rosto e depois virou para fita-lo. podia se ver na limpidez daqueles olhos. ficou nervosa e tentou com todas as forças parecer normal. sentia o sangue fluir no rosto e no colo, sabia que devia estar emanando calor e ele tão perto devia estar sentindo. e corou ainda mais com esses pensamentos. notou-o se mexendo ao seu lado e sentiu suas entranhas pesarem e congelarem dentro do abdômen, ele a tocaria. mas ele apenas expulsou cinzas de cigarro da calça e ela se sentiu uma idiota. pensou na imaturidade de tudo aquilo. ela sentia o olhar pesado dele colado no seu rosto. aquilo a incomodava, mas ela não queria que ele parasse. queria poder falar alguma coisa. o gosto de sangue sumira da boca, devia estar todo nas bochechas. ela percebeu que ele acenderia um cigarro, virou-se decidida a examina-lo e contemplou os movimentos mais coordenados que já vira. se pegou com a boca entreaberta ainda contemplando-o e percebeu, dois segundos mais tarde, que ele a oferecia um cigarro. com as mãos tremendo puxou um pelo filtro escuro e colocou-o na boca. ele esticou o isqueiro e acendeu. eles se olharam longamente entre a fumaça do cigarro. ela se perdeu naqueles olhos cinza, achava que podia ficar por horas exatamente onde estava, nem notou que ele se aproximava, até que o tecido roçou seu joelho nu e ela virou-se para frente atônita. por que ela virou? por que ela não deixou que continuasse? baforadas intensas de fumava saiam por sua boca. sentia-se tão culpada por ter perdido aquela chance. envergonhada por ter virado com tanta rispidez. queria pedir desculpas, queria conversar, queria tudo, menos ficar só parada contemplando, mais uma vez, o chão. ela sabia que ele estava fazendo alguma coisa, mas não conseguia ver perifericamente. então ele se levantou. ela desesperou-se. ele iria embora por ela ter sido indelicada. iria embora sem nem ao menos saber seu nome. iria embora e levaria toda aquela incrível vontade de não ouvir norah esta noite. ele a tocou no ombro e ela sentiu a frieza de sua pele e, por um instante, achou que poderia morrer ali e estaria feliz. então ele envergou-se e falou, quase num sussurro inaudível, com a voz meio rouca de quem não falara há horas e robusta como ela imaginou:
au revoir, mademoiselle.
e ela, boquiaberta, o viu deslizar por entre os presentes em direção à porta e o viu parar e sorrir para ela, alguns instantes antes de sumir. ela fitou a porta sem acreditar que ele se fora. olhou ao seu lado e viu um papel e o isqueiro que acendera seu cigarro. abriu o papel, ainda tremula. estava escrito com uma letra meio apressada e nervosa. com caneta preta e traços vacilantes:
maintenant vous avez quelque chose pour moi à êtes revenu..
voyez-vous bientô.

V.
fechou o papel com um sorriso que não dava havia anos. e sentiu que poderia ir para casa dormir. nada de norah essa noite.

domingo, 25 de janeiro de 2009

and there we goes.



se chegou prosa e cheia de coisas.
voltou à usar azul nos cabelos e tudo. queria mais do que nunca o deus da guerra.

se viu entre copos e pratos.
cheia de si, como se nada daquilo fosse ter importância se o deus não estivesse lá.

se viu olhando.
era como se já o tivesse visto em algum lugar ou em alguém, mas achou que era só impressão.

se pegou olhando.
como assim? alguém falou o nome? alguma coisa com dois V's?

se viu olhando.
e agora o deus parecia um reles plebeu diante do que ela via. era muito mais do que ela podia supor.

se notou debaixo da mesa.
não. não pode ser. pura leseira, seria mais certo.

se perdeu na rua.
queria que o deus voltasse pra casa. queria poder sair de lá, mas não sozinha.

odiou-se em casa.
deuses vivem no Olympus, e lá deveriam ficar.

e matou-se por horas.

e agora?
agora?

agora ela se regenera e se faz muito bem.


:)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

pissed off.


pq não me deixas em paz, simplesmente? pq é assim tão dificil aceitar que o problema é meu?
achei antes que eras só alguém pra me alertar, que eras alguém que achava mesmo que eu poderia me machucar e queria ajudar, mas não é isso.
tu sabes disso.
é assim tão prazeroso me fazer pior? será que é vontade de estar no meu lugar? no lugar dele?

me deixa quebrar a cara, me deixa sofrer, me deixa ser o que eu ou ele quiser que eu seja. deixa rirem, deixa falarem mal, deixa qualquer coisa!

eu espero, de verdade, que isso te faça bem. pq, se não fizer a quem está fazendo?
pq não te mostras e falemos de pesares e futuros incertos, ao invés de ficar te escondendo atrás de pontos de interrogação?
se ainda assim preferires os pontos, te dou o direito de réplica, e depois, não terás mais por onde me dizer tantas coisas baixas.

passar bem.

sábado, 22 de novembro de 2008

das crônicas da menininha.


era de porcelana e por isso se fazia em cacos.
defazia-se em gritos de desespero e medo.
tinha toda a sua vida pra decidir, toda o seu futuro de mocinha pra traçar, mas não queria..
nao podia ser naquela hora. ela sentia-se ainda menor e só queria ficar um pouco sozinha.
e foi bem aí, aí mesmo, que um passado se tornou o seu presente.
tudo cheirava a goibas frescas e o natal fez-se muito mais pra se esperar.
mas pra menininha as coisas não são assim fáceis. existe um longo e cansativo caminho pra se percorrer.

in far far way kingdom